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Em Pari Cachoeira, indígenas denunciam que não veem aplicação dos recursos recebidos por ONGs

Durante a diligência da CPI das ONGs no distrito de Pari Cachoeira, em São Gabriel da Cachoeira, indígenas denunciaram que não veem a aplicação de recursos que ONGs recebem em nome dos povos indígenas e pediram a saída do Instituto Socioambiental (ISA) e a troca da diretoria da Federação dos Povos Indígenas do Rio Negro (Foirn) na região

Por: Redação
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Durante a diligência da CPI das ONGs no distrito de Pari Cachoeira, em São Gabriel da Cachoeira, indígenas denunciaram que não veem a aplicação de recursos que ONGs recebem em nome dos povos indígenas e pediram a saída do Instituto Socioambiental (ISA) e a troca da diretoria da Federação dos Povos Indígenas do Rio Negro (Foirn) na região. Para participar da audiência, realizada nesta quinta-feira (31), indígenas de diversas etnias demoraram até 14 dias para se deslocar de barco até a comunidade. A diligência externa foi realizada na sede do Centro Comunitário Distrital Kumadá e Yerpará Panilu e reuniu mais de 100 pessoas. A reunião foi conduzida pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM), presidente da CPI das ONGs, acompanhado do relator, senador Márcio Bittar (União-AC), e do senador Chico Rodrigues (PSB-AM), integrante da Comissão.

Ao abrir os trabalhos da audiência, o presidente da CPI questionou os indígenas presentes se o ISA havia consultado algum morador da região para a realização de um plano de gestão de R$ 12 milhões na região. Documentos investigados pela CPI revelam que a ONG recebeu um montante de recursos para aplicação na região com a consulta de 50 lideranças indígenas. “Eu pergunto aqui a mais de cem pessoas indígenas qual de vocês foi consultado pelo ISA ou se o ISA consultou algum de vocês alguma vez na vida? Sim ou não?”, questionou o presidente. Toda a plateia presente respondeu que nenhum indígena foi consultado.

Durante os depoimentos, indígenas reclamaram da atuação de ONGs, disseram que os recursos não são aplicados nas comunidades e que nunca viram nenhum benefício aplicado diretamente para melhoria da qualidade de vida dos povos indígenas. Silvio Benjamin, da comunidade baniwa Castelo Branco, e Jesus dos Santos, baré da comunidade Cucuí, leram cartas de repúdio contra o ISA e a Foirn. Em um trecho da carta, Jesus dos Santos se refere ao ISA como sigla para “Índios Sendo Assaltados”.

“Embora não seja surpresa para nós, mas é comovente – ouvir de cada um de vocês as queixas, reclamações, lamentações e acusações de quem está sempre usando vocês. A gente percebe, ao longo do tempo de nossas vidas, o quanto nos roubam, e roubam mais vocês. Levam o conhecimento que vocês têm de seus antepassados, levam as plantas, levam os animais, roubam o minério, negam saúde, educação e transporte para vocês. Roubam quase tudo de vocês, porque uma coisa só eles não roubam, não roubaram e não vão roubar porque vocês disseram isto aqui, agora: a dignidade. A dignidade de um povo que não tolera mais, não quer mais ser tutelado”, disse o presidente da CPI, Plínio Valério.

De acordo com Plínio Valério, o próximo passo é convocar os representantes das ONGs, como o ISA, já mencionado por diversas vezes na CPI e na diligência externa, por receber recursos, manipular indígenas e impedir o desenvolvimento nas comunidades. “Se depender dessas ONGs, se depender da Foirn e do ISA, vocês continuarão invisíveis. Este é um dos nossos trabalhos: dar visibilidade verdadeiramente a quem merece e a quem precisa”, disse o senador amazonense.

Vejam alguns trechos de alguns dos depoimentos:

Armindo Tenório Pena – Embora tenha chegado tanto dinheiro, em nome da população indígena, em nome da preservação da floresta, veio muito dinheiro, e estamos na pobreza, gente […] O ISA e a própria Foirn se interessaram somente pela instituição, e a diretoria se preocupou somente com eles. E para nós, eles não se preocuparam com nada. […] Não existe bem viver para nós enquanto a gente não tem transporte, enquanto a gente não tem comunicação, internet na escola a gente não tem. Tudo a gente não tem para eles. É triste! Embora tenha chegado tanto dinheiro, não é?

Jocimara Brandão – A gente nunca viu, nunca vai ver o dinheiro que o pessoal do ISA veio receber em nome aqui do distrito, em nome de todos os indígenas. […] Então eu digo, fora ISA! A gente tem que trocar os diretores da Foirn, gente. É melhor a gente trocar. Estamos cansados já, porque eles já vêm usando o nosso nome há anos. São 36 anos de existência da Foirn aqui no Alto Rio Negro.

José Lucas Lemos Duarte – Não precisamos mais estar submissos, alienados às ONGs que pertencem a essa região, dizendo que estão fazendo o bem para a população indígena. Em nenhum momento vejo, de fato, acontecer o bem-estar, o bem-viver e a sustentabilidade pregada há anos, há 36 anos. Antes, nós éramos tutelados pela Funai, passou a categoria para missionários, depois vieram as ONGs. Quando é que nós teremos, de verdade, a liberdade própria de gerir o nosso território, tirar as nossas riquezas e parar com essa figura de índio pedinte? Nós somos ricos aqui na Amazônia. Temos medicinas tradicionais, temos nióbio, ouro, diamante, nós temos várias riquezas dentro da região e ainda argumentam, falam que você não pode… Mantenha a sua cultura! Manter cultura não é manter a miserabilidade, gente! […] Hoje somos estudados, antes a gente era tutelado. Hoje nós queremos comandar o nosso território.

Deilton Camico – Hoje eu venho aqui para pedir socorro para o meu povo kuripako, que está sofrendo por esses problemas que vimos enfrentando. O ISA, que é socioambiental, nunca chegou lá [na comunidade]. Então, lá é de difícil acesso, lá não tem internet, não tem escola, não tem energia, gerador, não tem nada, pessoal! Então, de tanto dinheiro que a gente está ouvindo, infelizmente a gente não recebe assim ajuda dessas ONGs. […] Então, peço socorro aqui para o nosso Senador Plínio, para que ele possa nos atender e entender sobre essa questão do que estamos sofrendo com o nosso povo kuripako, não somente o povo kuripako, mas todos os povos indígenas aqui dessa região da Amazônia.

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