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ONGs milionárias na mira da CPI: Indígenas denunciam uso inadequado de recursos em São Gabriel da Cachoeira (AM)

Indígenas do Alto Rio Negro, no Amazonas, denunciaram que as Organizações Não-Governamentais (ONGs) Instituto Socioambietal (ISA) e a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) teriam arrecadado milhões de reais em nome da preservação ambiental, mas não converteram recursos em benefícios para as comunidades tradicionais. As afirmações foram feitas durante uma diligência da Comissão […]

Por: Leon Furtado
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Indígenas do Alto Rio Negro, no Amazonas, denunciaram que as Organizações Não-Governamentais (ONGs) Instituto Socioambietal (ISA) e a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) teriam arrecadado milhões de reais em nome da preservação ambiental, mas não converteram recursos em benefícios para as comunidades tradicionais. As afirmações foram feitas durante uma diligência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das ONGs, do Senado Federal, no Distrito de Pari Cachoeira, no município de São Gabriel da Cachoeira, no interior do estado. As declarações repercutiram nas redes sociais do presidente da CPI, senador Plínio Valério (PSDB-AM), durante esta semana. Entre os principais prejuízos estão a baixa qualidade de vida das populações tradicionais.

O líder da etnia Tukano, Lucas Duarte, enfatizou a necessidade de autonomia das comunidades indígenas e criticou a dependência histórica de ONGs e missionários no território. “Não precisamos mais estar alienados, estar submissos às ONGs que pertencem a essa região, dizendo que estão fazendo bem para a população indígena. Em nenhum momento vejo o bem-estar e o bem viver acontecer, irresponsabilidade pregada há anos, há 36 anos. Antes nós éramos tutelados pela Funai, passou a categoria para missionários, depois vem as ONGs. Quando nós teremos de verdade a liberdade de próprio gerir o nosso território, as nossas riquezas, e parar com esse figura de índio pedinte. Nós somos ricos aqui na Amazônia. Temos medicinas tradicionais, cobre, ouro, diamante, temos várias riquezas dentro da região e ainda argumentam, falam que você não pode. Mantenham sua cultura. Manter cultura não é miserabilidade, gente. O Brasil (precisa) de fato ser comandado pelos nossos brasileiros e não estrangeiros”, concluiu.

Armindo Tenório, também representante da etnia Tukano, questionou o destino dos recursos e a falta de infraestrutura básica em suas comunidades, como transporte e acesso à internet. “Chegaram muito dinheiro. E cadê esse dinheiro? Onde foi parar? Aqui a gente não tem nada. Vocês tão vendo a nossa realidade. Não tem nem transporte. Comunicação, cadê internet? Prometeram que ia colocar. Prometeram que ia colocar internet pra todas as comunidades e até agora nada, zero. É isso, essa é a nossa realidade”, declarou.
Uma representante da etnia Curipako chegou a suplicar por ajuda. “Hoje eu vejo aqui para pedir socorro para o meu povo, Curipako, que está sofrendo com problemas que vemos enfrentando. É um acesso difícil, não tem internet, escola, energia, gerador, não tem nada. De tanto dinheiro que a gente tá ouvindo, infelizmente, a gente não tá recebendo ajuda dessas ONGS”, lamentou.

Transparência questionável
O relator da CPI das ONGs, Márcio Bittar, destacou a influência de ONGs que, segundo ele, não deveriam ser consideradas “não-governamentais” devido aos laços com governos estrangeiros e interesses econômicos.
“A gente sabe o poder que tem essas ONGs, que não deveriam se chamar ONGs. Porque elas não são não-governamentais. Elas estão misturadas com governos estrangeiros que não querem nosso bem. A guerra que elas representam é econômica, travestida de preocupação ambiental”, concluiu.

Próximos passos
Ainda de acordo com o presidente da CPI, a investigação segue com a solicitação de requerimentos de representações das ONGs citadas em Pari Cachoeira, a fim de esclarecer o uso de recursos que, em alguns casos, resultaram em gastos desproporcionais em relação aos projetos executados.

Plínio Valério ainda declarou que o Instituto Socioambiental (ISA) arrecadou R$12 milhões de uma única fonte para um plano de gestão do Alto Rio Negro e que teriam sido consultados cerca de 50 indígenas da região. Todos negaram conhecimento das assinaturas e disseram desconhecer qualquer investimento realizado.

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