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No ‘Conversa Política’, Cacique Raoni defende que indígenas não devem morar em áreas urbanas

Conhecido mundialmente por defender a causa indígena, o cacique Raoni Metuktire, de 93 anos, líder do povo Kayapó, disse em entrevista ao programa Conversa Política que orienta os indígenas a permanecerem nas aldeias para evitar o contato com drogas e bebidas alcoólicas

Por: Redação
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Conhecido mundialmente por defender a causa indígena, o cacique Raoni Metuktire, de 93 anos, líder do povo Kayapó, disse em entrevista ao programa Conversa Política que orienta os indígenas a permanecerem nas aldeias para evitar o contato com drogas e bebidas alcoólicas.

Em agosto, a grande liderança esteve na Cúpula da Amazônia, onde 8 países assinaram a declaração de Belém e definiram a primeira agenda conjunta para a proteção da floresta. Na ocasião, ele recebeu o jornalista e apresentador do programa, Álvaro Corado. A entrevista foi possível com a ajuda de um tradutor.

“Aqui é o melhor lugar para nós morar, na cidade é muito perigoso, na cidade existem bebidas alcoólicas, existem drogas, eu me preocupo quando a comunidade indígena vai morar na cidade e ter contato com esses problemas. Vai ter indígenas alcoolizados, vai ter indígenas drogados, virar contra os parentes na aldeia, isso é muito ruim para comunidade indígena. Por isso que eu falo para o meu pessoal vocês têm que se estruturar aqui na própria aldeia, para estudar aqui, para trabalhar aqui, para se desenvolver aqui dentro, não precisa ir para cidade porque na cidade vocês vão ter contato com vários problemas principalmente drogas e alcoolismo.”, declarou o líder indígena que participou da Cúpula da Amazônia, realizada em Belém do Pará.

Raoni disse que por considerar que a situação dos indígenas não estava bem, resolveu falar com as autoridades. “Desde o começo eu pensei que o meu povo estivesse bem. Tive várias orientações de pessoas que me falaram, me orientaram. Eu só quero falar de paz com as pessoas, é isso. Falar sobre o bem viver, o bem-estar do meu povo.”, falou.

O cacique lembrou que quando esteve com o astro internacional Sting, viajou pelo mundo para falar sobre a situação das populações indígenas no Brasil. Ele destacou a articulação sobre a delimitação de terra indígena no Brasil para garantir paz aos indígenas.

“Eu lembro muito bem da viagem que fizemos com o Sting, não conseguia chegar nas autoridades e conversar sobre apoio deles para a gente levantar fundos para delimitar terra indígena. Pelo que eu lembro, junto com o Sting a gente andou em vários países e as pessoas recebiam a gente, escutavam e apoiavam, e eu lembro que os chefes do Estado também receberam a gente, manifestaram total apoio, inclusive um papa. A gente foi no Papa também e ele falou que também iria se manifestar em apoio à demarcação, na época eu não lembro de alguma autoridade falar contra mim. A fala com todos, então eu falava com as pessoas que precisamos demarcar território porque o povo indígena precisava ter paz, garantia de ter paz e não ter violência, que as pessoas deveriam viver bem assim com os brancos, eu falava para as pessoas isso.”, relatou.

Raoni disse, ainda, que também recebeu apoio financeiro de alguns países como a Alemanha, França e Suiça. “Eles me apoiaram, eu lembro que eles me apoiaram, fizeram até doações em dólar para delimitação de território, esses presidentes me receberam bem. Quem me apoiou mesmo foi o presidente francês.”, afirmou.

No Brasil, o cacique disse que teve apoio do então presidente José Sarney (MDB), mas reclamou do posicionamento da ex-presidente Dilma Housseff (PT). “O Sarney falou ‘viaje, vai lá, eu vou apoiar você.”, pontuou Raoni que, em seguida, lembrou de um episódio durante a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em janeiro deste ano, em que se encontrou com o ex-presidente Sarney.

“Agora na posse do presidente Lula eu estava lá e (Sarney) saiu, veio me cumprimentar, falou ‘você está muito forte, mais forte do que nós’.”, observou Raoni, que tentou lembrar de outro presidente, mas acabou revelando a falta de apoio de Dilma aos indígenas.

“Esses presidentes me apoiaram, menos a Dilma. A gente lutava contra a construção da barragem da usina hidrelétrica de Belo Monte e o governo dela ignorou a nossa causa.”, lembrou.

Sobre a nova geração de lideranças indígenas, o cacique Raoni reconheceu que novos nomes estão surgindo para dar continuidade na defesa dos direitos e nas demandas dos povos.

“Eu vinha falando e muitas pessoas agora entendem e querem continuar com o meu trabalho também por isso que eles começaram, eu acho que eles têm bons pensamentos, agora essas nova geração tá entendendo a causa, então vamos continuar. O que eu falo para esses jovens é que eles têm que se unir, se fortalecer, ter mais força junto, não pode fazer o que é política ou tentando derrubar o outro, isso não é correto para o povo indígena, lideranças indígenas.  As novas lideranças indígenas que estão atuando têm que estar juntos, dialogar, unir forças juntos para lutar pelo bem da comunidade indígena, é isso que eu falo para jovens.”, aconselhou.

O cacique Raoni disse que deve ir ao Congresso falar com os parlamentares sobre um documento que concedeu a ele o direito de posse de uma terra onde os pais e os avós do indígena estão enterrados. O cacique disse que alguns parlamentares criticaram a concessão.

“Eu reivindiquei uma terra onde meus pais, minha mãe, meus avós estão enterrados e a presidente da Funai (Joenia Wapichana, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas) trouxe o documento e ela assinou na minha frente, então quando assinamos aquele documento, no Congresso, dentro da Câmara houve muito fala contrária a terra indígena. Eu vou marcar uma data para ir ao Congresso, eu quero ouvir os deputados pessoalmente não está cem por cento bem, não está bem ainda”, disse.

Para finalizar, Raoni disse que já orientou e deixou sua mensagem para as novas gerações. “Meu pensamento eu já deixei, algumas mensagens boas para tudo, para a geração que vai seguir a minha luta, né, alguns deles já falam para os filhos, falam para os netos que vai defender a floresta, vai defender tudo, a Amazônia”, concluiu.

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