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Legislativo - 03 de fevereiro de 2022
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‘Meu compromisso é a defesa dos direitos dos indígenas’, diz Vanda Ortega, primeira pré-candidata indígena do AM à Câmara

“É a hora de na história deste Amazonas, as vozes dos povos indígenas serem representadas por uma mulher indígena”, Vanda Ortega Witoto, pré-candidata à Câmara Federal

Por: Brendo
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Manaus | AM

Primeira mulher indígena lançada oficialmente como pré-candidata à deputada federal pelo Amazonas pelo partido Rede Sustentabilidade, Vanda Ortega, liderança do povo Witoto no Estado, tem como principal objetivo e compromisso a defesa dos direitos dos povos indígenas na representação política, conforme entrevista concedida ao site O PODER, nesta quinta-feira (3).

“Quando nós nascemos indígenas, já nascemos com grande responsabilidade, com objetivos e compromissos da continuidade da defesa dos direitos que garantam a continuidade da existências dos nossos povos. E, para que esses direitos continuem existindo, precisamos lutar muito pela proteção dos nossos territórios, por políticas públicas que garantam educação, saúde, que garantam a sustentabilidade em nossos territórios”, declarou ela.

De acordo com ela,  é lamentável o fato de o Amazonas, estado com a maior população indígena do Brasil, não ter uma representação política a nível estadual e federal. “Porque por muito tempo elegemos homens brancos para nos representar, e sempre fomos enganados, fomos esquecidos. É fundamental ampliarmos essas vozes e essa representação no cenário político”, disse.

Vanda Ortega lembra, ainda, que no Brasil há uma única representante indígena na Câmara dos Deputados. “É uma voz que precisa de muita força para lutar contra todos os que atacam os direitos da população indígena, que é a única voz que luta pela preservação de um sistema ecológico, pela preservação da floresta.”, relata.  A primeira deputada federal indígena do Brasil é Joenia Wapichana.

Vanda Ortega, do povo Witoto, da Região do Alto Solimões, município de Amaturá, da Aldeia Colônia do Porto Ortega, tem 34 anos e é casada. É filha de mãe semianalfabeta. O pai se formou aos 42 anos pelo projeto EJA (Educação de Jovens e Adultos).

A liderança indígena conta que veio para a capital amazonense ainda adolescente e começou a trabalhar como “escrava”. “Fui trazida para Manaus como empregada doméstica aos 16 anos. Vim para essa cidade como escrava, pois ganhava R$ 100, e eu trabalhava para ter o que comer e onde dormir. Aqui concluí meus estudos, sonho do meu pai”, contou.

Vanda Ortega é finalista do curso de Pedagogia na Universidade do Estado do Amazonas  (UEA). Após entrar na universidade, ingressou na militância e no Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas (Meiam), tendo como bandeira a luta por políticas públicas e afirmativas dentro da universidade para o ingresso e formação dos indígenas, com êxito, dentro dos espaços acadêmicos .

“Em 2016, consegui passar na UEA. Nunca na história do meu povo, aqui no Brasil, pensávamos em acessar a universidade, pois ouvi falar dela apenas em 2015. Foi ao entrar na universidade pelas cotas indígenas que me deparo com uma realidade muito difícil vivenciada pelos nossos parentes. A invisibilidade dentro da universidade. Lá, se iniciou o meu trabalho de militância, pois não era do movimento indígena”, explicou a pré-candidata indígena à Câmara Federal.

Vanda também é servidora da Fundação de Dermatologia Tropical e Venereologia Alfredo da Matta (FUAM). “Me formei enquanto técnica de enfermagem em 2012, passei no concurso público da Secretaria de Saúde do Amazonas (Seas) em 2014, mas não consegui assumir. Apenas em 2018 assumi a minha função como técnica de enfermagem”, revelou.

A indígena se tornou um símbolo da luta contra a Covid-19 atuando desde o início da pandemia do novo coronavírus na comunidade Parque das Tribos, no bairro Tarumã, na Zona Oeste de Manaus, onde vivem várias etnias após processo de retomada e conquista do território. Hoje, o local é reconhecido como o primeiro bairro indígena em contexto do mundo, com 35 etnias e 700 famílias indígenas que vivem na periferia da capital.

Vanda foi a primeira profissional de saúde e mulher indígena do Amazonas a receber a vacina contra a Covid-19, em 18 de janeiro de 2021. “Tive o papel fundamental no tratamento e na vacinação de parentes de vários povos (indígenas)”, ressaltou.

Enquanto acadêmica de Pedagogia,  a liderança indígena participa de um projeto como professora voluntária, no Parque das Tribos. “Queremos que mais jovens, mais crianças, mais mulheres indígenas tenham acesso à educação. Apesar de todos os desafios dentro da universidade, ter acesso à educação tem transformado a vida dos nossos indígenas do nosso País. É por meio da Educação e dos nossos saberes que é possível avançarmos e ocuparmos espaços sempre negados para a gente”.

O lançamento da pré-candidatura da liderança indígena Vanda Ortega à deputada federal pelo Amazonas, aconteceu no dia 29 de janeiro, em evento transmitido pelas redes sociais, e contou com a presença da primeira deputada federal indígena do Brasil, Joenia Wapichana, e (virtualmente) das ex-senadoras Marina Silva  e Heloísa Helena. “O sentimento que perpassa é de esperança, não de esperar, de esperançar e agir. É um sentimento de que é a hora de na história deste Amazonas, as vozes dos povos indígenas serem representadas por uma mulher indígena”, finalizou Ortega.

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